domingo, 15 de agosto de 2010

Pitanga


Acabo de sair do msn, onde estava conversando com duas amigas, para aproveitar esse sol de tarde de inverno. Desço para o quintal, e a preocupação dos meus dois cachorros é a de roer os ossos de costela que eles ganharam de almoço. Minhas preocipações são várias, a começar pelos dois: a ração deles acabou, e como hoje é domingo, o supermercado aberto mais próximo está à oito quadras de casa. Paciência: A “preguiça de domingo” me diz que hoje eles vão passar à base de ração. Suspeito que eles não vão reclamar muito.

Caminho distraidamente pelo quintal, e resolvo acender um cigarro. “Tenho que parar com isso”, é a frase que me vem à cabeça toda vez que fumo. Mas sempre acabo fumando. Olho para a minha esquerda, e percebo que a minha pitangueira está florida. São flores pequenas, brancas, bem simples, mas que sobre o fundo verde de suas folhas e sob a luz do sol transformam-se numa linda paisagem de se ver. Chegam a parecerem imponentes, chamando toda a atenção do quintal para elas.

Há quanto tempo elas estão ali? Há quanto tempo passo por elas sem lhas perceber? Começo a notar que minhas preocupações estão me tomando tempo útil. Tempo que eu poderia usar como estou a fazer agora: apreciar coisas simples. Coincidência ou não, são as coisas que mais me deram prazer na vida. Não que eu seja um cara carrancudo. Muito pelo contrário. Quem me conhece sabe que sou uma pessoa com quem não se consegue conversar sobre algo sério por mais de cinco minutos. E isso não é força de expressão, não. É ali, no duro.

Minhas preocupações são geralmente baseadas na coletividade. Não vejo mais um movimento cultural engajado politicamente ou em problemas sociais como eu via nos anos 80. Eu vejo Lady Gaga e Rebolation. Eu vejo o meu país preocupado com a seleção da CBF (não confundir com seleção brasileira) ao invés de se preocupar em quem vão eleger para nos representar nos próximos quatro anos. Também vejo uma sucessão de escândalos de corrupção nos noticiários, e uma sociedade que ta cagando para isso. É claro que tenho as minhas próprias preocupações também, como cumprir o prazo para fechar o meu setor censitário (passei no concurso do IBGE). Tento entender por que eu acabei com um relacionamento que mal havia iniciado. Que motivos me levaram a isso? E por que não deixo de preguiça e vou logo comprar essa ração para os cachorros, pombas?

Quer saber? Hoje não.

Fernando Sabino estava certo: para ser sempre uma criança feliz, basta pensar nos outros. Mas haja saco! Tenho que aprender a relaxar um pouco.

Após pensar tudo isso, olho para a minha cadela, a Lica. Ela me devolve o olhar, procura pelo meu outro cachorro, o Carniça – é, é isso mesmo! – pois ela é um tanto ciumenta, e com certeza viria competir pela minha atenção se notasse ele perto de mim. Como ele não está, ela volta a roer o seu osso tranquilamente. Ela nem sabe, mas eu dou um sorriso em sua direção. Enquanto isso, milagrosamente, uma borboleta de asas brancas com contorno preto voa aleatoriamente pelo quintal, indo parar em uma das flores da pitangueira. Outra preocupação me aparece: preciso urgentemente de uma filmadora, para não perder mais momentos como esse.

Mas pra quê? Já está tudo filmado. Dentro de mim.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Religião, Raiz do Mal

ESCOLHA SEU LUTADOR E SAIA NO TAPA, SEU BURRO.


Poucas coisas me espantam. Mas a ignorância humana ainda me dá esse (des)prazer.
Tenho que voltar a bater na mesma tecla: religião. Êita coisinha feita para atrasar a gente. A gente vírgula, porque eu não caio mais nessa. Estou falando isso por causa de uma conversa em que duas evangélicas comentaram que pararam de falar com uma terceira pessoa porque a dita cuja não pertence à mesma religião que elas. Não vou transcrever a conversa, porque, apesar de ser de cunho simplório, acho feia, não pela conteúdo, mas pela forma. Vá lá, o conteúdo também me dá calafrios.
Mais uma vez a prova de que a religião desagrega ao invés de unir. Não se trata mais de crença, mas de bairrismo, fenômeno parecido com torcidas de futebol. Estou vendo quando facções religiosas vão se pegar de pau nas ruas da cidade. Lembro do pastor evangélico que chutou uma santa católica. O.K., também não acredito em santas, santos ou coisa do gênero. SE eu acreditasse na Bíblia, isso ficaria bem claro para mim, pois se trata do segundo mandamento. A título de curiosidade, vou anexá-lo aqui: "Não farás imagem esculpida , nem semelhança alguma do que há em cima nos ceús, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra." Mas nem por isso se deve chutar objeto de devoção de ninguém. Sou Flamengo, mas não cago em cima da bandeira do Vasco. Eu respeito.
A história mostra que a Idade Média (historiadores, estou usando esse termo a título de ilustração, vocês não precisam me corrigir, certo?) foi um tempo de forte impacto religioso na vida das pessoas, onde o homem parou de pensar e viveu sobre os dogmas de uma crença. Pensadores eram mortos por discordar da Santa Madre Igreja. Crianças foram mortas em cruzadas, porque os contigentes adultos já eram escassos. Tudo movido por dinheiro e poder. As religiões sempre estão atrás dele, e é o que acontece hoje. Vocês acham que aqueles pastores que ficam de madrugada pregando estão fazendo isso de graça? Nã-nã-ni-nã-não. E que padres vivem só com a roupa do corpo? Tá de brincadeira? É poder. Sempre poder.
Não gosto de falar de mim, mas eu tento tratar todos igualmente, sejam brancos, petros, judeus, mulheres, crianças ou homossexuais. Porque eu não acredito em um Deus que seja seletivo, em qualquer sentido. E se for, tanto faz. Isso não vai me fazer mudar o que sou ou a minha visão das coisas. Muita gente põe a mão na Bíblia e diz: "Esse é o meu guia." São o cúmulo da nojeira, são aquelas que gostam de apontar o dedo. Aconselho a lerem a ilustração do Bom Samaritano. Ou a do farizeu que reza em voz alta para chamar a atenção. Ou, simplismente, ler o principal mandamento que Jesus deu: amar ao próximo como a si mesmo. É tão difícil assim de seguir esse exemplo? Se puder dar um conselho a todos, ele é: afastem-se da religião. Ela é nociva e destrutiva.
Hoje eu estou com o saco estourado. Poucas coisas me deixam assim, e uma delas é a burrice humana. Digo, a religião.